sábado, 14 de junho de 2008

Fade to Black

boomp3.com

I . II . III .

Capítulo I
- Que me dizes? - perguntaste sem equacionares muito bem o risco de ela te dizer que não e deitar por terra todas as tuas esperanças. Fez-se um longo silêncio. Os seus olhos tremiam de cansaço e espanto. Nunca te pensara capaz de tal coragem. Balançou lentamente a cabeça de um modo como quem se equilibra entre o bom e o mau. Entrelaçou os dedos, deu uma volta ao calcanhar, inspirou e num sopro repentino resolveu-se por ti.
- Sim, aceito!
Capítulo II
A lua já ia no alto apesar de o sol ainda iluminar os seus cabelos. Castanhos, ou loiros, pareciam reflexos de lume aceso, um laranja que queima e fere a vista. As sua mãos seguravam a tua cintura com força. O medo de cair era muito. Se caísse, caíam as esperanças dos dois, os sonhos ficariam ali, na terra batida de tantos seres meio escravos, meio cães que pisaram aquele chão. Os seus sonhos eram mais valiosos para ti que os teus próprios desejos, e ainda nem o nome dela sabias.
Capítulo III
Já dormia no teu colo. Os seus olhos cores de prata banhada de uma luz fora do normal estavam agora fechados. Talvez a amadurecer a beleza para na manha seguinte se apressarem a dar-te os bons dias. Parecia ainda uma criança, tão frágil, tão menina. Tão verdadeiramente verdadeira de tantas verdades! E tu? Ah... amanhã penso nisso. Vou enrolar-me no teu bolso quente, vou dormir e sonhar com a tua felicidade.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Até ao Fim do Fim

Então está tudo dito meu amor
Por favor não penses mais em mim
O que é eterno acabou connosco
E este é o princípio do fim
Mas sempre que te vir eu vou sofrer
E sempre que te ouvir eu vou calar
Cada vez que chegares eu vou fugir
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Então está tudo dito meu amor
Acaba aqui o que não tinha fim
P'ra ser eterno tudo o que pensamos
Precisava que pensasses mais em mim
P'ra ti pensar a dois é uma prisão
P'ra mim é a única forma de voar
Precisas de agradar a muita gente
Eu por mim só a ti queria agradar
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar

Ana Moura

Superfícies.

Sentir texturas. Quando não tenho mais nada para fazer, sonha-las e lembra-las tal e qual como eram e se transformaram para mim numa sensação, num sentimento... Colecciono momentos assim tão facilmente como quem colecciona borboletas. Vou colando na minha memória, organizada por gavetas, as emoções de olhares, de sorrisos que me dão por ser eu própria, todos os dias!

a textura dos teus dedos cansados de escrever
a textura do gelado de canela que derrete lentamente na boca
a textura da tua cara com barba por fazer
a textura de uma folha de papel amarrotada

a textura do vento a bater na minha pele
aquela que tu abraçaste com a textura do teu corpo
a textura da madeira e da parede por pintar
a textura da areia, do sol, do mar

segunda-feira, 24 de março de 2008

Valerie



Well sometimes I go out, by myself, and I look across the water.
And I think of all the things, of what you're doing, and in my head I paint a picture.

terça-feira, 11 de março de 2008

parlez avec moi

Conversar.
Tagarelar.
Não sei mas sabe bem.
Quando, por simples vontade
ou necessidade
soltamos palavras que têm sentido,
nem que seja só para nós.
E as que lhes faltam sentido
saem também com honra e elegância
tornando-se rapidamente nossas,
mesmo sem querer.

Segredos que se sabem
e se calam ou se falam.

Gosto de ouvir falar.
Saber pensamentos,
ideias, argumentos.
Saber sentimentos.

Gosto que confiem
Que chorem no meu colo
Que procurem consolo.
Saber pormenores e detalhes.
Com franqueza.
Inventados até.
Coleccionados por alguém.
Depois guardá-los todos.
Para tema de conversa
ou só porque sim
entregar a mim todo o conhecimento alheio
sem dar muita importância de onde provem

Aprende-se com todas as palavras.
Provenientes de todos os meios.
Nem que seja a não dizê-las.

As Notas de Bolso de Miss Landisson

Os olhos perdem-se na insegurança de quem bebe as palavras que saem de bocas alheias sem sequer as questionar. Bebe os gestos, os olhares, os pensamentos. Das vontades se alimenta e se constrói. É do contra, é contra tudo e contra nada se manifesta. É o laranja do sol-posto. É o azul que tinge o mar. É a estrada de alguém percorrida por si mesma. E em si mesma se envolve, procurando aconchego.

Dilema. Quando sorrimos demais parecemos falsos, se sorrimos de menos somos antipáticos. Se rimos em gargalhadas somos descontrolados, se não damos uma gargalhada somos retraídos e infelizes. Se falamos muito, falamos demais. Se falamos pouco, não falamos. Se exprimimos sentimentos pelas feições da cara somos exagerados, se não as exprimimos somos tímidos... mais vale ficar em casa hoje.

água. Areia. Sal. O que se segue? Sopa da pedra.

Desejo ter algo que me aqueça. Não porque tenho frio mas simplesmente para poder dar algum calor.

Boneca de porcelana abandonada. Se vivesses. Se falasses. Que não viste tu já deste mundo meu? Olhos verdes-azuis-acastanhados. Vestido branco com cetim encarnado. Lábios pequenos, pele luzidia. Seres eu por um dia.

A luz. Provém a ideia de uma salvação. Algo que aquece, que ilumina, que traz conforto e segurança. Boa ideia. Sucesso. E pensar que tenho três candeeiros no meu quarto e nenhum deles me ilumina. Como janelas que rasguei na parede, para poder respirar, sem nunca as abrir por não ter falta de ar. As ideias que me surgem parecem “desiluminadas”. Parecem longe daquilo que busco. Mas são minhas. E levam sempre a algum lugar.