quinta-feira, 12 de junho de 2008

Até ao Fim do Fim

Então está tudo dito meu amor
Por favor não penses mais em mim
O que é eterno acabou connosco
E este é o princípio do fim
Mas sempre que te vir eu vou sofrer
E sempre que te ouvir eu vou calar
Cada vez que chegares eu vou fugir
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar
Então está tudo dito meu amor
Acaba aqui o que não tinha fim
P'ra ser eterno tudo o que pensamos
Precisava que pensasses mais em mim
P'ra ti pensar a dois é uma prisão
P'ra mim é a única forma de voar
Precisas de agradar a muita gente
Eu por mim só a ti queria agradar
Mas mesmo assim amor eu vou-te amar
Até ao fim do fim eu vou-te amar

Ana Moura

Superfícies.

Sentir texturas. Quando não tenho mais nada para fazer, sonha-las e lembra-las tal e qual como eram e se transformaram para mim numa sensação, num sentimento... Colecciono momentos assim tão facilmente como quem colecciona borboletas. Vou colando na minha memória, organizada por gavetas, as emoções de olhares, de sorrisos que me dão por ser eu própria, todos os dias!

a textura dos teus dedos cansados de escrever
a textura do gelado de canela que derrete lentamente na boca
a textura da tua cara com barba por fazer
a textura de uma folha de papel amarrotada

a textura do vento a bater na minha pele
aquela que tu abraçaste com a textura do teu corpo
a textura da madeira e da parede por pintar
a textura da areia, do sol, do mar

segunda-feira, 24 de março de 2008

Valerie



Well sometimes I go out, by myself, and I look across the water.
And I think of all the things, of what you're doing, and in my head I paint a picture.

terça-feira, 11 de março de 2008

parlez avec moi

Conversar.
Tagarelar.
Não sei mas sabe bem.
Quando, por simples vontade
ou necessidade
soltamos palavras que têm sentido,
nem que seja só para nós.
E as que lhes faltam sentido
saem também com honra e elegância
tornando-se rapidamente nossas,
mesmo sem querer.

Segredos que se sabem
e se calam ou se falam.

Gosto de ouvir falar.
Saber pensamentos,
ideias, argumentos.
Saber sentimentos.

Gosto que confiem
Que chorem no meu colo
Que procurem consolo.
Saber pormenores e detalhes.
Com franqueza.
Inventados até.
Coleccionados por alguém.
Depois guardá-los todos.
Para tema de conversa
ou só porque sim
entregar a mim todo o conhecimento alheio
sem dar muita importância de onde provem

Aprende-se com todas as palavras.
Provenientes de todos os meios.
Nem que seja a não dizê-las.

As Notas de Bolso de Miss Landisson

Os olhos perdem-se na insegurança de quem bebe as palavras que saem de bocas alheias sem sequer as questionar. Bebe os gestos, os olhares, os pensamentos. Das vontades se alimenta e se constrói. É do contra, é contra tudo e contra nada se manifesta. É o laranja do sol-posto. É o azul que tinge o mar. É a estrada de alguém percorrida por si mesma. E em si mesma se envolve, procurando aconchego.

Dilema. Quando sorrimos demais parecemos falsos, se sorrimos de menos somos antipáticos. Se rimos em gargalhadas somos descontrolados, se não damos uma gargalhada somos retraídos e infelizes. Se falamos muito, falamos demais. Se falamos pouco, não falamos. Se exprimimos sentimentos pelas feições da cara somos exagerados, se não as exprimimos somos tímidos... mais vale ficar em casa hoje.

água. Areia. Sal. O que se segue? Sopa da pedra.

Desejo ter algo que me aqueça. Não porque tenho frio mas simplesmente para poder dar algum calor.

Boneca de porcelana abandonada. Se vivesses. Se falasses. Que não viste tu já deste mundo meu? Olhos verdes-azuis-acastanhados. Vestido branco com cetim encarnado. Lábios pequenos, pele luzidia. Seres eu por um dia.

A luz. Provém a ideia de uma salvação. Algo que aquece, que ilumina, que traz conforto e segurança. Boa ideia. Sucesso. E pensar que tenho três candeeiros no meu quarto e nenhum deles me ilumina. Como janelas que rasguei na parede, para poder respirar, sem nunca as abrir por não ter falta de ar. As ideias que me surgem parecem “desiluminadas”. Parecem longe daquilo que busco. Mas são minhas. E levam sempre a algum lugar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Metade



Oswaldo Montenegro

Angústia x Palavras = Loucura

dentro do peito a saudade mata.
dentro do peito vem uma angústia que corta.
dentro do peito aprisionada a vontade.
dentro do peito as palavras.

Trago em mim a minha e a tua tristeza.
Trago em mim a vontade de chorar no teu ombro.
Trago em mim a louca certeza.
Trago em mim um pouco de tudo.

Nos meus olhos param teus gestos.
Escondem vergonhas caladas e perdidas no tempo.
Os momentos, as horas, o teu silêncio... a minha vida.
Escolho que assim seja.
E que passes por mim sem que te doa
Por mais doloroso que para mim fique.

"E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade...
...também."